A poesia de Fernando Pessoa e a história de Portugal

Mediação e curadoria:
Paulo Franchetti
Neste curso, o objetivo é ler Mensagem, único livro de poesia que Fernando Pessoa publicou em vida. Para situar o livro em seu tempo e espaço cultural, alguns textos anteriores serão objeto de comentário e leitura: a conferência Causas da Decadência dos Povos Peninsulares, de Antero de Quental, a História de Portugal, de Oliveira Martins, e o poema dramático Pátria de Guerra Junqueiro. Além de Mensagem, serão apresentados os três heterônimos principais, entendidos como representantes de forças vetoriais da cultura portuguesa de seu tempo.
4 encontros PRESENCIAIS em NOVEMBRO/2026 nos dias: 04/11 | 11/11 | 18/11 | 25/11 | QUARTAS-FEIRAS
Horário: das 19h às 21h
Valor total: R$640,00
Local: Presencial na Livraria Candeeiro R. Dr Vieira Bueno, 170 | Cambuí - Campinas, SP
Ementa do curso:
O curso lê Mensagem como desfecho de quase um século de discurso sobre a decadência e a regeneração de Portugal. Um encontro de abertura reconstitui o problema; dois encontros centrais percorrem o livro; o último recoloca os heterônimos no mesmo campo de forças. As leituras dos precursores se fazem em passagens escolhidas, indicadas abaixo.
Aula 1 — O problema: decadência e regeneração
Reconstituição do diagnóstico contra o qual Mensagem responde. Três vozes do fim do século XIX, cada uma com um texto-âncora.
Antero de Quental, Causas da Decadência dos Povos Peninsulares: a tese central da conferência — as três causas da queda (a Contrarreforma e o tribunal do Santo Ofício, o absolutismo centralizador, a sangria das conquistas marítimas). Oliveira Martins, História de Portugal: os livros finais, sobre a crise dinástica e a perda da independência em 1580, com atenção ao episódio de D. Sebastião e Alcácer-Quibir. Guerra Junqueiro, Pátria: as falas do louco e o fecho messiânico do poema dramático.
Aula 2 — Mensagem, I
Arquitetura do livro e a primeira parte, “Brasão”. A fundação mítica da nação e a galeria dos fundadores; o sebastianismo lido como resposta direta ao diagnóstico anteriano. Leitura comentada dos poemas dos “Campos” e dos “Castelos” até “A Coroa” e “O Timbre”.
Aula 3 — Mensagem, II
As duas partes restantes, “Mar Português” e “O Encoberto”. A epopeia marítima reduzida a síntese lírica; o Quinto Império, o messianismo sebastianista e o fecho profético (“Os Símbolos”, “Os Avisos”, “Os Tempos”). Aqui o livro se reata de modo explícito aos precursores da Aula 1, e o eixo decadência/regeneração se fecha.
Aula 4 — Os heterônimos como forças vetoriais
Caeiro, Reis e Campos lidos contra o mesmo eixo. Cada heterônimo ocupa uma posição no campo cultural português — uma direção e uma intensidade próprias —, e a aula buscará torná-las mais organicamente ligados a um projeto de intervenção cultural. Caeiro e Campos recebem leitura mais demorada; Reis entra como contraponto clássico, em diálogo estreito com o classicismo regenerador da Aula 3.
Sobre o mediador:
Paulo Franchetti nasceu em 1954. É professor sênior da Unicamp e pesquisador categoria 1 do CNPq. Aposentou-se em 2015 como professor titular da Unicamp. Publicou, no Brasil, entre outros livros, Alguns aspectos da teoria da poesia concreta; Nostalgia, exílio e melancolia - leituras de Camilo Pessanha; Estudos de literatura brasileira e portuguesa; Sobre o ensino de literatura; Crise em crise – notas sobre poesia e crítica no Brasil contemporâneo; Prosa & Poesia (com Ivan Teixeira); Haikai: antologia e história (com Elza Doi); Editoras universitárias para quê? (com Plínio Martins Filho), bem como edições comentadas de O Primo Basílio; Iracema; A cidade e as serras; Dom Casmurro; Clepsidra, O cortiço, entre outros. Em Portugal, publicou a edição crítica da Clepsydra, de Camilo Pessanha; a antologia As aves que aqui gorjeiam - a poesia do Romantismo ao Simbolismo e o ensaio O essencial sobre Camilo Pessanha. De maio de 2002 a maio de 2013, dirigiu a Editora da Unicamp.
Contato
Instagram: @paulo.franchetti
E-mail: paulofranchetti@me.com
Blog sobre literatura e cultura: www.paulofranchetti.blogspot.com
Bibliografia:
Qualquer edição da História de Portugal, de Oliveira Martins.
Vou ler passagens selecionadas, mas o livro é de leitura agradável, como um romance, e permite que tenhamos o solo sobre o qual se assenta uma parte do palácio da memória de Fernando Pessoa.
Qualquer edição da conferência de Antero de Quental intitulada “Causas da decadência dos povos peninsulares nos últimos três séculos”
Há cópias na internet:
Qualquer edição da peça Pátria, de Guerra Junqueiro
Há cópias na internet: https://projectoadamastor.org/patria-guerra-junqueiro/
Qualquer antologia da poesia de Pessoa, incluindo os heterônimos.
Fernando Pessoa. Mensagem. Cotia: Ateliê Editorial.
O diferencial dessa edição está nas notas do organizador, Prof. António Apolinário Lourenço.




Comentários